Amostragem de solo ( Citrus)



INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
DO TRIÂNGULO MINEIRO – Campus Uberlândia ENGENHARIA AGRONÔMICA




ARTUR MARTINS SCALDELAI CAMILA XAVIER RABELO FERNANDO CÉSAR FERREIRA ISABELLE VIEIRA SILVA ISABELA MENDES DA SILVA LUCAS DILAN MARTINS CORRÊA







   AMOSTRAGEM DO SOLO





Fertilidade do Solo e Nutrição Mineral de Plantas
Luís Augusto da Silva Domingues & Henrique Gualberto Vilela Penha







UBERLÂNDIA, MG
Agosto/2019




LISTA DE FIGURAS


Figura 1 – Amostragem do solo com o uso de Trado Holandês...................................... 1
Figura 2 – Caminhamento em ziguezague para coleta do solo...................................... 3
Figura 3 – Terra Fina Seca ao Ar – (TFSA)......................................................................... 7



      1)      INTRODUÇÃO


A amostragem do solo é a base para o uso racional, sustentável e econômico dos solos.
A variabilidade espacial de características químicas do solo ocorre naturalmente como consequência de processos pedogenéticos (Mausbach & Wilding, 1991), manifestando-se nas direções horizontal e vertical, mas pode ser alterada pelas ações antrópicas, mediante o manejo do solo (James & Wells, 1990).
Assim se faz necessário avaliar a fertilidade do solo para consequentemente caracterizar sua capacidade em fornecer nutrientes para as plantas, identificar a presença de acidez e elementos tóxicos, orientar programas de adubação e correção do solo e escolher espécies ou variedades mais adaptadas ao cultivo em uma determinada área.
Segundo Cantarutti et al. (1999), a partir de uma amostragem correta é feita a análise dos atributos químicos, uma técnica de rotina usada para avaliação da fertilidade do solo.


                  Figura 1 – Amostragem do Solo com o uso de Trado Holandês

Com isso, a análise química do solo é feita em várias etapas: coleta da amostra no campo, encaminhamento ao laboratório, preparo, extrações e determinações analíticas. A amostragem do solo é a operação mais importante, pois uma pequena quantidade de solo recolhida deve representar as características de uma grande área.
A área a ser amostrada deve ser dividida em glebas de no máximo 10 hectares. Cada gleba deve ser o mais homogêneo possível, com relação à vegetação, topografia, tempo de uso, produtividade e aplicações de calcário, gesso e fertilizantes. Áreas que diferem na paisagem como, por exemplo, em declividade, drenagem, cor e/ou tipo de solo, uso e tratamentos anteriores, devem ser amostradas separadamente. Áreas ou manchas de aspecto excepcional não devem ser amostradas ou, se desejado, devem ser amostradas separadamente.
Em geral, a amostra de solo representa a camada arável de áreas que podem chegar a 10 hectares. No caso de áreas sob plantio convencional ou de culturas perenes, a amostragem de solo é feita na camada de 0 cm – 20 cm, o que representa um volume de 20 milhões de litros (ou dm3) de solo, para esta uma camada arável (10.000 m2 x 0,20 m). Isso significa que se forem enviados cerca de 400 g de solo para o laboratório, a amostra representará uma parte por 50 milhões de partes da camada arável, considerando a densidade do solo igual a 1,0 kg/dm3. Se for considerado que em diversas análises de laboratório são empregados somente 10 cm3 de solo, isso representará uma parte de 2 bilhões de partes da camada arável, ou seja, a análise dessa pequena fração de solo deve refletir a fertilidade de um volume 2 milhões de vezes maior. Em lavouras manejadas no sistema plantio direto (SPD), onde se recomenda uma amostragem na camada de 0 cm - 10 cm, esse valor seria 1,0 milhão de vezes maior. É importante destacar que todas as amostras de solo de uma área ou gleba tem que ser coletadas na mesma profundidade.
Recomenda-se coletar sempre 20 amostras simples por amostra composta, qualquer que seja a área a amostrar, mesmo que represente apenas 10 m2. Isso porque, como observado, a variabilidade dos atributos químicos de um solo manifestasse em pequenas distâncias. Dependendo da homogeneidade do solo, o número pode variar de 10 a 20 amostras simples para uma composta. Além disso, deve-se realizar um caminhamento em ziguezague para a coleta das amostras de solo.


Figura 2 – Caminhamento em ziguezague para coleta do solo


Portanto, os procedimentos para a amostragem devem ser rigorosos, pois as análises laboratoriais — etapa mais sofisticada, do ponto de vista operacional e instrumental — não corrigem as falhas de uma coleta deficiente no campo. Salienta-se, ainda, que uma amostragem mal executada pode induzir a posteriores erros na interpretação do resultado da análise, com o consequente comprometimento técnico e econômico de um programa de adubação e correção do solo.
Os objetivos das análises de rotina de solos, para fins de fertilidade, são obter informações para serem utilizadas de várias formas, nos quais se destacam:

·         Manter o nível de fertilidade ao nível considerado adequado de certa área amostrada.
·         Predizer a probabilidade de se obter respostas lucrativas com o uso adequado de corretivos e fertilizantes.

·         Servir de base para a recomendação da quantidade de fertilizantes, formulados ou não, e corretivos da acidez do solo (calcário ou escórias) a aplicar.
·         Avaliar o estado atual de fertilidade de uma propriedade ou talhão de uma localidade, com o uso de sumários de análises de solo com o objetivo de mapear a área e sua aptidão de uso da terra.

A amostragem é a etapa mais crítica de todo o processo de análise (Cantarutti et al., 1999; Moreira, 2012). Ela, em geral, devido às condições temporais, não pode ser repetida. Uma amostra mal coletada não revela, pelo seu aspecto, se é ou não representativa da gleba amostrada. Um resultado de análise suspeito pode ser verificado por meio da repetição da análise que será corrigida com a coleta de outra (fatores como umidade do solo, excesso de chuva, adubação e queimada pode alterar todo o resultado do obtido anteriormente).
Recomenda-se que a amostragem e avaliação da fertilidade do solo ocorram anualmente, para se corrigir possíveis deficiências de nutrientes e ainda excessiva acidez ou concentração de alumínio, que é tóxico para a maioria das plantas cultivadas. A amostragem do solo pode ser realizada em qualquer época do ano. Entretanto, o produtor tem que considerar o tempo entre a amostragem do solo, o envio para o laboratório, a obtenção dos resultados, a compra e entrega dos fertilizantes e a época de adubação e calagem exigidos pela cultura.

       2)      OBJETIVO


O objetivo do experimento foi realizar a amostragem do solo de 0 – 20 e de 20 – 40 cm na área de citrus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro – IFTM, campus Uberlândia, a fim de caracterizar a fertilidade desta área, por meio, da determinação das quantidades de nutrientes, e outros elementos presentes através de uma pequena fração de terra.


    3)   METODOLOGIA


Materiais: para a realização da prática no campo foi necessário a utilização das seguintes ferramentas:

·    Trado Holandês;
·    Sacos plásticos;
·    2 Baldes Plásticos;
·      Colher de jardineiro;
·    Pincel para identificação das amostras;

Procedimentos: Amostragem do Solo

 ü  Primeiramente foi selecionado o local da retirada da amostra de solo, que foi na área correspondente ao limite da copa das árvores;

ü  Foi retirado da superfície do solo folhas, gravetos, gramíneas, e demais restos culturais que pudessem comprometer a qualidade da amostragem do solo;

ü  Com o auxílio do Trado Holandês foi retirada uma amostra de 0 – 20 cm de profundidade e, em seguida, transferida para o balde plástico;
 ü  Logo, em seguida, foi retirado uma outra alíquota no mesmo buraco, mas de 20 – 40 cm, e transferida para outro balde plástico.
 ü  Foi realizado o caminhamento em ziguezague para posterior coleta das demais amostras;

ü  No total foi coletado 7 amostras de 0 – 20 cm, e 7 amostras de 20 – 40 cm;

ü  As 7 amostras de 0 – 20 cm foram colocadas em um dos baldes, e consequentemente, misturadas, de forma a homogeneizar o solo;
 ü  O mesmo procedimento foi realizado para as amostras de 20 – 40 cm;

ü  Depois, com o auxílio de uma colher de jardinagem, foi transferido aproximadamente 500 g de solo para o saco plástico;

ü  Logo, em seguida, realizou a sua devida identificação e encaminhamento para o laboratório, onde foi retirado do saco e deixou secar sobre a bancada para posterior análise;
 - Obs.: O Solo passou pelo processo de secagem denominado TFSA– Terra Fina Seca ao Ar.

        Figura 3 – Terra Fina Seca ao Ar - (TFSA)


 4)      RESULTADOS E DISCUSSÃO

No experimento foi realizado a amostragem do solo na área de citrus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro – IFTM, campus Uberlândia. Foi coletado 7 amostras simples de 0 – 20 cm, 7 amostras simples de 20 – 40 cm, realizando um caminhamento em ziguezague. As 7 amostras de 0 – 20 cm foram adicionadas num balde, e posteriormente misturadas até a homogeneização, constituindo uma amostra composta. O mesmo procedimento foi realizado com as amostras de 20 – 40 cm. Logo, em seguida, foi transferido de cada uma dessas amostras uma quantia de aproximadamente 500 g de solo para um saco plástico. O mesmo foi identificado e conduzido para o laboratório para deixar secar exposto sobre a bancada (TFSA – Terra Fina Seca ao Ar).
Outro fator que não poderia deixar de citar é a textura do solo que pode fazer com que o tempo de amostragem seja prolongado por dois fatores, sendo o primeiro a plasticidade do solo, no que diz respeito à adesão da amostra à ferramenta de coleta e, o segundo, a resistência mecânica do solo à penetração.
Além disso, quanto maior o número de amostras simples a formar uma amostra composta, passa a se tornar uma amostra mais bem representativa da área, onde se quer determinar a fertilidade do solo.

        5)      CONCLUSÃO


Numa amostragem de solo, a divisão de uma área, onde se quer determinar sua fertilidade, em áreas menores aumenta a homogeneidade das características do solo, sendo os principais fatores utilizados na estratificação da área, a vegetação, topografia e cor do solo.
Com isso, podemos concluir neste experimento que a amostragem do solo, sendo um procedimento estatístico e, para tanto, utilizado para se obter informações das características do mesmo, quando mal realizada induz a posterior erro de interpretação dos resultados da análise, com consequente comprometimento técnico e econômico de um programa de adubação e correção do solo, causando também danos ao meio ambiente, uma vez que a aplicação de fertilizantes e corretivos serão baseados em análises errôneas.
Concluímos também que o objetivo da prática foi alcançado, atentando-nos de que erros são inerentes ao experimentador, seja por parte da instrumentação utilizada na realização da prática em campo, ou por parte do próprio pesquisador que não toma os devidos cuidados para minimizar os erros. Mas serviu de base para nos auxiliar a aperfeiçoar o conhecimento teórico.

6)     REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MAUSBACH, M. J. & WILDING, L. P. Spatial variabilities of soils and landforms. Madison, Soil Science Society of America, 1991. 270 p. (SSSA Special Publication, 28)
CANTARUTTI, R. B.; ALVARES VENEGAS, V. H.; RIBEIRO, A. C. Amostragem de solo. In: RIBEIRO, A. C.; GUIMARÃES, P. T. G.; ALVARES
VENEGAS, V. H. (Ed.). Recomendação para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais: 5ª aproximação. Viçosa: Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais, 1999. p. 13-20.
CATANI, R. A.; GALLO, J. R.; GARGANTINI, H.; CONGIN, A. amostragem de solos para estudos de fertilidade. Bragantia, Campinas, v. 14, p. 19-26, 1954.
BARRETO, A. C.; NOVAIS, R. F. & BRAGA, J. M. Determinação estatística do número de amostras simples de solo por área para avaliação de sua fertilidade. R. Ceres, 21:142-147, 1974.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Reações do solo pH

Determinação do pH e análise de acidez ativa e potencial do solo com Sorgo

Amostragem do solo na área de cultivo de Sorgo